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Estamos ficando mais inteligentes ou apenas mais dependentes?

Recentemente precisei fazer uma reserva em um hotel na Alemanha. Escrevi a mensagem em português, pedi ajuda ao ChatGPT e, em poucos segundos, recebi um texto perfeito em alemão. Enviei para o hotel e recebi uma resposta curiosa: elogiaram o meu alemão.

O detalhe é que eu não sei alemão. Na verdade, eu nem sabia exatamente o que estava escrito naquela mensagem.

A experiência me fez pensar.

Vivemos uma época em que praticamente qualquer barreira de conhecimento pode ser contornada por uma ferramenta. Tradutores escrevem em dezenas de idiomas. Inteligências artificiais produzem textos, apresentações e análises. Aplicativos calculam, organizam, lembram e decidem por nós.

Nunca fomos tão produtivos. Mas talvez também nunca tenhamos praticado tão pouco algumas habilidades fundamentais. Percebi isso com o inglês.

Durante muitos anos, quem queria se comunicar precisava estudar, praticar e errar. Hoje, basta abrir uma ferramenta de tradução. O problema é que, ao usar cada vez menos o idioma, comecei a sentir mais dificuldade para lembrar palavras, construir frases e me expressar naturalmente.

A tecnologia resolveu o problema imediato. Mas também eliminou a necessidade do exercício. E aquilo que não exercitamos enfraquece. Isso vale para idiomas, mas também para outras áreas da vida.

Quantas contas simples deixamos de fazer mentalmente?

Quantos números de telefone ainda sabemos de memória?

Quantas vezes paramos para imaginar uma solução antes de perguntar a uma inteligência artificial?

O excesso de ferramentas nos torna mais eficientes, mas existe uma diferença importante entre eficiência e desenvolvimento. Uma ferramenta deve ampliar nossas capacidades, não substituí-las completamente. Quando ela substitui, ganhamos velocidade. Quando ela amplia, ganhamos evolução.

Talvez o grande desafio dos próximos anos não seja aprender a usar mais tecnologia. Será aprender quais habilidades precisamos continuar praticando, mesmo quando a tecnologia consegue fazer o trabalho por nós.

Porque a verdadeira inteligência não está apenas em encontrar respostas. Está em continuar desenvolvendo a capacidade de pensar.

Agora sabe um fato curioso? Apenas comentei com o chatGPT a dificuldade em praticar o inglês pela comodidade das ferramentas e do fato curioso do hotel na Alemanha elogiar meu inglês. Todo o texto acima foi gerado pela própria IA com base na experiencia que iniciei. A tecnologia nos deu superpoderes. O risco é esquecer como caminhar sem eles.

Médico, empresário, viajante, e em busca do conhecimento.